sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ADEUS DIREITO TRABALHISTA. OLÁ, DIREITO CIVIL.
É engraçado parar para pensar na vida. Bem, talvez “engraçado” não seja o termo mais adequado, mas foi o melhor que encontrei. Não quero entrar no mérito de nenhuma teoria acerca do assunto, mas parece que realmente nós somos meros atores nesse palco estranho.
Eis que um dia comecei a trabalhar no meu primeiro emprego, verde de tudo (o contrário de madura, experiente, eu não estava vestida de verde, vejam bem), ansiosa, com um pouco de medo, confesso. A advocacia pressupõe responsabilidade, atenção, diligência e eu caí na área trabalhista.
Meu coordenador, mais novo que eu, era exigente e, logo percebi, mais do que competente. E lá fui eu, recém formada, com a minha recém conquistada carteira da Ordem.
O direito trabalhista era o que eu mais sabia na teoria. Mas na prática... o ritmo alucinante da advocacia de massa me deixou um pouco tonta e eu pensei “pronto, estou vivendo para o trabalho”. E eu trabalhava. Sonhava com o trabalho. Fui buscar conselhos, achei que não seria capaz de continuar ali, mesmo tendo formado em uma faculdade conceituada e ter passado bem na Ordem.
Com a minha redação tudo certo, sempre me dei bem com ela. O problema era acertá-la com o direito material e saber aplicar no processual.
Então uma vaga na área cível apareceu. Era a minha chance. Corri e pedi para a coordenadora de lá que me trocasse de setor. Era um grito de me tira daqui! Se eu odiei o direito trabalhista? De jeito nenhum. Faltava era confiança. Confiança em mim, confiança na minha capacidade.
A vaga me foi negada, porque o coordenador daqui e a coordenadora de lá viram em mim o que eu mesma não consegui enxergar. Eu era capaz sim.
E o tempo foi passando. Três meses, quatro... sete. E eu aprendia cada vez mais. Minhas petições melhoraram. A medida que recebia o “ok” para fazer o protocolo e enviar as peças para a análise do juiz, mais segura ficava para escrever do meu jeito, desenvolver as minhas teorias seguindo as linhas que me eram dadas. E a cada parabéns eu exultava.
Minha rotina se acomodou, e eu não mais achava ruim sair para trabalhar. Eu gostava. Não mais vivia só para o trabalho. As coisas se ajeitam.
Claro que nem tudo eram flores, e eu errava. Errava, reconhecia, pedia desculpas, sofria as consequências e continuava.
E então, depois de sete meses, depois que achava que enfim estava começando a encontrar o meu lugar, o coordenador me chama para conversar. Depois de assistir às idas e vindas de várias pessoas pelo escritório nesse tempo, meu primeiro pensamento foi o de que seria demitida. Meu coração acelerou, e lá fui eu, de cabeça erguida e com um sorriso no rosto. O sorriso é importante. Sempre.
Mas eu não fui mandada embora. É que havia chegada a hora da minha transferência para o direito civil, aquela que eu tanto almejei.... mas que agora nem enchia mais os meus olhos. E tanta coisa passou pela minha cabeça. O pedido para ficar ficou preso na minha garganta. Eu teria que passar por todo o processo de novo, aprender uma matéria nova, me adequar ao sistema do novo coordenador... Desespero! Fora que eu tinha aprendido a “amar” o direito trabalhista, um amor construído arduamente na convivência do dia a dia.

Mas uma vozinha lá no fundo me disse “calma”. Recusar a oportunidade seria burrice. Ampliar o conhecimento é maravilhoso e necessário.
E cá estou eu. Novas pessoas, novo ambiente, nova matéria, começando do zero de novo. Mas dessa vez será diferente. Dessa vez eu sei que tenho que esperar. Que o direito civil seja bem vindo. Se eu gostei do trabalhista, também vou gostar dele. Um novo trabalho, um novo “amor”, uma nova época.
E assim é a vida. Num dia, tudo pode mudar. E a gente não tem escolha, porque não tem como nadar contra a maré. E eu só vou pensar na última frase que o meu antigo coordenador me disse, depois de um trabalho que eu tentei fazer da melhor forma possível: “as portas estão abertas para você”.