quarta-feira, 25 de abril de 2018

LA CASA DE PAPEL

Um sorriso entre a inspetora Raquel e o Professor e eu me vi aplaudindo, com meus pais, o fim da segunda temporada deste, com o perdão de quem pensa o contrário, excelente seriado.

Excelente, repito, em minha opinião, primeiramente porque quebrou aquele preconceito contra produções que não sejam americanas ou inglesas, mas não só por isso.

Se houveram erros, para mim, eles não comprometeram em nada o conceito que tive de “La Casa de Papel”. Pode ter havido personagens pouco explorados. Sim. Pode ter havido clichês? Também. Mas as imperfeições fazem parte.

Para mim, nenhum personagem foi fraco. Todos tiveram seu caráter muito bem construído e demonstrado durante todo o desenvolvimento da história, como Tóquio, uma menina estourada, negligenciada pela família, que entrou para o mundo do crime e viu o namorado ser baleado pela polícia, que passou a odiar; o Professor, um menino doente que viu o pai se tornar um bandido para poder pagar seu tratamento. Ambos revoltados com o sistema da sociedade atual. Mas vejam que o interessante é que, do nada, nos vemos torcendo por pessoas que representam tudo que existe de ruim na sociedade. E caiu a ficha de que a polícia não é nenhuma maravilha, não é mesmo? Principalmente seu mais alto escalão. 

Quanto aos clichês... esse é um assunto para uma longuíssima discussão, mas acredito que eles são um ingrediente essencial, quando bem colocados, para o sucesso de qualquer produção. É como ir ao cinema com um balde de pipoca e um copão de Coca-Cola. O filme fica muito mais gostoso. Não tem como dar errado. Portanto, colocados na medida como foram em “La Casa de Papel”, o resultado foi este: sucesso estrondoso. 



Mais uma vez me perdoem quem diverge da minha opinião e um beijo! 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PORQUE LER É BOM!


Nunca consegui expressar direito a minha paixão pelos livros, mas agora sinto que serei capaz de fazê-lo. Posso dizer que ler é um dos maiores prazeres da minha vida alfabetizada. Não me recordo de como isso despertou em mim, só sei que sempre amei ouvir histórias. Como toda criança, cresci ouvindo meus pais contando clássicos infantis (que a minha mãe contava do jeito que tinha que ser e o meu pai... bem, ao jeito dele!). A partir daí, li tantos livros que já perdi a conta.

O meu primeiro grande caso de amor com uma história, no entanto, foi com a série de J.K. Rowling, Harry Potter, indicação da minha avó, lembro-me bem. Eu adorava, e viajava naquele mundo criado pela escritora inglesa.


Dizem que uma coisa que afasta uma pessoa da literatura, ou seja, que desperta uma certa aversão ao hábito de ler, é a obrigatoriedade imposta pelas escolas. Regidos por uma ética institucional, os professores jamais indicariam um livro como Harry Potter e a Pedra Filosofal ao seus alunos de 4a ou 5a série. Diriam que não é uma literatura construtiva. Considero isso um erro. Primeiro deve-se desenvolver o gosto pela leitura, para depois ensinar a distinguir o que é e o que não é bom. Eu, particularmente, desenvolvi uma certa resistência a um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, justamente por causa disso. Não que eu não reconheça sua genialidade, mas não é uma leitura que faço com prazer.



Eu cresci junto com Harry Potter, esperando, a cada ano, que o novo livro da série chegasse. O segundo eu li em um dia. Cheguei a duvidar de que pudesse gostar mais de uma história do que desta. Mas me equivoquei. Harry Potter terá sempre um lugar especial na minha vida, mas a gente cresce. E aí, veio o José de Alencar.

Eis um autor que eu, por conta própria, jamais escolheria para ler, um preconceito do qual me arrependi. O vestibular, no entanto, colocou como uma de suas obras de análise o livro Senhora. E eu devorei a história. Considero José de Alencar um dos homens mais sensíveis e conhecedores da alma feminina do qual já tive notícia. Voltarei a falar de Senhora mais a frente, antes, devo citar o meu terceiro caso com a literatura.

A saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, me encantou.

Apesar de usar seres sobrenaturais como personagens, o que me seduziu foi justamente o amor entre esses personagens, a intensidade de seus sentimentos e de suas relações. Não interessa se eles eram vampiros ou lobisomens, o que importa é a emoção que a história nos provoca.
Quando terminei meu curso superior de Jornalismo, usei como objeto de análise para a monografia de conclusão de curso a saga Crepúsculo. E aprendi muita coisa. Aprendi que obras como esta, best-sellers em geral, são feitas para a massa, para o grande público, obras que têm como único objetivo, vender. Com fins lucrativos, elas mexem com o que temos de mais particular na vida: os nossos sentimentos. Algumas pessoas são mais, outras menos afetadas pelo efeito best-seller, visto que é muito frequente ouvir da grande maioria delas a frase “ler é muito chato!”. Eu me encontro, com certeza, na primeira categoria, a dos que são mais afetados pelo efeito best-seller. Aprendi também que fruidores desse tipo de literatura (a literatura de massa) são condenados por alguns críticos literários, que dizem que quem lê Harry Potter jamais chegará a Dostoievski e que a análise deve ser fria e racional para ser correta. Sinto muito em discordar categoricamente (oh, críticos!) dessa visão tão limitada. Ninguém jamais chegará a Dostoievski começando por Dostoievski, assim como nenhum advogado chegará a ser advogado sem antes estudar física, química e matemática, e nenhum engenheiro chegará a ser engenheiro sem antes estudar português, história e filosofia. Para poder fruir Dostoievski como se deve, é preciso antes ler Chapeuzinho Vermelho, Harry Potter, Crepúsculo, Sherlock Holmes, porque é assim o caminho que trilhamos para chegar ao ápice. Uma coisa leva a outra. Ninguém nasce pronto, nem Dostoievski.

Os best-sellers mexem com as emoções, com os sentimentos, e o que tem isso? Qual é o problema? A graça de viver, de sermos humanos, é justamente poder sentir! E é muito bom!

Quando lia Harry Potter, enquanto olhava para as páginas, eu também era bruxa, eu também aprendia os feitiços, eu também era amiga do Rony e da Hermione, eu também adorava o Dumbledore. Quando lia Senhora, eu era uma rica milionária carioca, apaixonada intensamente pelo homem que destruiu minhas ilusões. Quando lia Crepúsculo, eu também era uma menina sem graça e sozinha, eu também conheci o grande amor da minha vida, e eu também me transformei numa das mulheres mais bonitas do mundo quando virei vampira. É assim que eu sinto no momento em que abro as páginas de um livro. Quando as fecho, volto a ser eu mesma. Mas aquele momento em que me transporto para dentro da história, é mágico. A gente absorve esse momento e ninguém jamais o tira de nós.
Atualmente, ando lendo Oscar Wilde. Uma frase dele me chamou tanto a atenção, que tive necessidade de compartilhá-la neste texto. Diz Wilde que a Beleza (com letra maiúscula) é uma das coisas absolutas do mundo. Quanta verdade tem nesta frase. Não é justamente isso que todos os best-sellers contém? Vejamos nos exemplos: em Harry Potter, existe a Beleza da mágica. Harry é mágico, ele pode voar em uma vassoura, ele pode fazer qualquer coisa com a força do pensamento e uma varinha. Isso é lindo, não é? Imagine se pudesse ser real... Em Senhora existe toda a beleza de Aurélia e de seu amor. Que mulher não queria ter todos os homens aos seus pés ao simplesmente sorrir? E em Crepúsculo, existem os vampiros, seres de Beleza sobre-humana. É bom ler sobre a Beleza, simplesmente porque é bonito. Se temos que escolher entre uma coisa bonita e uma feia, escolheremos sempre a bonita; quando saímos para uma festa, procuramos sempre estar do jeito mais bonito possível, portanto, sim, mestre Oscar Wilde, a Beleza é uma das coisas absolutas do mundo.

Lendo este autor, que muito admiro, entendi mais ainda de outros autores. Essa é a maravilha da fruição. Lendo Wilde, entendi muito melhor José de Alencar e vou entender melhor Dostoievski, quando me sentir preparada para me aventurar em sua literatura. Em O retrato de Dorian Grey, Wilde diz a frase que citei acima, sobre a Beleza. José de Alencar a traduz em Senhora, na figura de Aurélia, dona de tamanha beleza, que é difícil até de imaginar. Em adaptação televisiva recente, a atriz Christine Fernandes interpretou a referida personagem, e muito bem, diga-se de passagem. Wilde disserta também sobre a poesia. Diz ele que os maiores poetas do mundo são prosaicos, porque não ousam realizar aquilo que escrevem. Já os poetas inferiores são os homens mais sedutores e irresistíveis. Ora, Fernando, o homem por quem Aurélia é apaixonada, é um poeta em potencial! Ela tenta resistir ao máximo a essa paixão, mas quando ele começa a recitar o mais simples dos versos, ela se desmancha de prazer.

Tudo isso se revela diante dos meus olhos quando leio, e creio que ainda há muito que aprender. Não entendo, então, aqueles que dizem “ler é muito chato”. Eles só o dizem porque não aprenderam a fruir. Digo a eles: abram a mente! Deixe a história te envolver e te levar para lugares que você, de outra forma, jamais chegaria! Não deixem de ler! Eu não vou deixar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ADEUS DIREITO TRABALHISTA. OLÁ, DIREITO CIVIL.
É engraçado parar para pensar na vida. Bem, talvez “engraçado” não seja o termo mais adequado, mas foi o melhor que encontrei. Não quero entrar no mérito de nenhuma teoria acerca do assunto, mas parece que realmente nós somos meros atores nesse palco estranho.
Eis que um dia comecei a trabalhar no meu primeiro emprego, verde de tudo (o contrário de madura, experiente, eu não estava vestida de verde, vejam bem), ansiosa, com um pouco de medo, confesso. A advocacia pressupõe responsabilidade, atenção, diligência e eu caí na área trabalhista.
Meu coordenador, mais novo que eu, era exigente e, logo percebi, mais do que competente. E lá fui eu, recém formada, com a minha recém conquistada carteira da Ordem.
O direito trabalhista era o que eu mais sabia na teoria. Mas na prática... o ritmo alucinante da advocacia de massa me deixou um pouco tonta e eu pensei “pronto, estou vivendo para o trabalho”. E eu trabalhava. Sonhava com o trabalho. Fui buscar conselhos, achei que não seria capaz de continuar ali, mesmo tendo formado em uma faculdade conceituada e ter passado bem na Ordem.
Com a minha redação tudo certo, sempre me dei bem com ela. O problema era acertá-la com o direito material e saber aplicar no processual.
Então uma vaga na área cível apareceu. Era a minha chance. Corri e pedi para a coordenadora de lá que me trocasse de setor. Era um grito de me tira daqui! Se eu odiei o direito trabalhista? De jeito nenhum. Faltava era confiança. Confiança em mim, confiança na minha capacidade.
A vaga me foi negada, porque o coordenador daqui e a coordenadora de lá viram em mim o que eu mesma não consegui enxergar. Eu era capaz sim.
E o tempo foi passando. Três meses, quatro... sete. E eu aprendia cada vez mais. Minhas petições melhoraram. A medida que recebia o “ok” para fazer o protocolo e enviar as peças para a análise do juiz, mais segura ficava para escrever do meu jeito, desenvolver as minhas teorias seguindo as linhas que me eram dadas. E a cada parabéns eu exultava.
Minha rotina se acomodou, e eu não mais achava ruim sair para trabalhar. Eu gostava. Não mais vivia só para o trabalho. As coisas se ajeitam.
Claro que nem tudo eram flores, e eu errava. Errava, reconhecia, pedia desculpas, sofria as consequências e continuava.
E então, depois de sete meses, depois que achava que enfim estava começando a encontrar o meu lugar, o coordenador me chama para conversar. Depois de assistir às idas e vindas de várias pessoas pelo escritório nesse tempo, meu primeiro pensamento foi o de que seria demitida. Meu coração acelerou, e lá fui eu, de cabeça erguida e com um sorriso no rosto. O sorriso é importante. Sempre.
Mas eu não fui mandada embora. É que havia chegada a hora da minha transferência para o direito civil, aquela que eu tanto almejei.... mas que agora nem enchia mais os meus olhos. E tanta coisa passou pela minha cabeça. O pedido para ficar ficou preso na minha garganta. Eu teria que passar por todo o processo de novo, aprender uma matéria nova, me adequar ao sistema do novo coordenador... Desespero! Fora que eu tinha aprendido a “amar” o direito trabalhista, um amor construído arduamente na convivência do dia a dia.

Mas uma vozinha lá no fundo me disse “calma”. Recusar a oportunidade seria burrice. Ampliar o conhecimento é maravilhoso e necessário.
E cá estou eu. Novas pessoas, novo ambiente, nova matéria, começando do zero de novo. Mas dessa vez será diferente. Dessa vez eu sei que tenho que esperar. Que o direito civil seja bem vindo. Se eu gostei do trabalhista, também vou gostar dele. Um novo trabalho, um novo “amor”, uma nova época.
E assim é a vida. Num dia, tudo pode mudar. E a gente não tem escolha, porque não tem como nadar contra a maré. E eu só vou pensar na última frase que o meu antigo coordenador me disse, depois de um trabalho que eu tentei fazer da melhor forma possível: “as portas estão abertas para você”.

domingo, 27 de janeiro de 2013

IMPRESSÕES OXFORDIANAS - parte 3


Na terça-feira, durante a primeira aula, o professor deu um exercício em dupla. Acabei fazendo-o com uma mexicana super fofa chamada Maria. Ela me chamou para almoçar, e fomos em um restaurante italiano onde também fiquei conhecendo o Mohamed, da Arábia Saudita, e outro mexicano super gente boa, o Oscar.

E na quarta, fiz um programa que eu, ao contrário da maioria esmagadora das pessoas da minha idade, não gosto muito - fui a uma boate. Em Oxford só existem dois nightclubs, um chamado The Bridge, já que fica próximo a uma ponte, e outro chamado The Lava - não descobri o porquê desse nome. Fui no primeiro. Meu problema foi a roupa. Eu não tinha trazido nada para usar nesse tipo de lugar, mas me virei como pude.

O que eu posso dizer do lugar é que é igualzinho às boates do Brasil, só que bem mais barata (bem mesmo) e bem mais limpa. O pessoal aqui é mais educado que os brasileiros até nessa parte. Foi legal, porque apesar de boates estarem longe de ser meu programa favorito, a gente acaba se divertindo. As 2:30 as luzes acendem e a festa acaba. Às 3:06 eu entrei no meu quarto para dormir, e tive que acordar cedo para a aula no dia seguinte.

Quanto à minha experiência culinária na primeira semana, foi bom encontrar um restaurante brasileiro, onde pude comer comida de verdade, porque, como todos sabem, ninguém merece a comida inglesa. Fiz duas tentativas com o chá e a primeira não foi nem um pouco agradável. Já a segunda, foi ótima! Gostei muito.

No sábado, Lina, Bia e eu fomos fazer compras para cozinhar na residência onde eu estou hospedada. Eu disse que cedia a louça e o fogão, porque não sei cozinhar, e as duas fizeram um macarrão à bolonhesa bem gostoso, além de ter sido divertido.

E no dia seguinte, fomos à Londres, A Bia queria muito ir no London Eye, e mesmo com neve, partimos para a capital, que fica a duas horas de Oxford. Estava muito frio. Almoçamos em um restaurante chinês e compramos um ingresso duplo para o London Eye e o Madame Tusseau. Mas o mau tempo não quis deixar que a gente entrasse na roda gigante, e o pior é que a gente nem podia ficar passeando pelas ruas londrinas tão famosas. Então fomos somente ao museu, lanchamos no Mc Donald's, porque isso não podia faltar, claro, e voltamos.

O mais legal disso tudo é que aprendi a andar de metrô. Sempre achei o metrô o mais legal dos transporte públicos, porque é rápido, e muito mais barato do que taxi, além de não ter que parar em sinal.

E a segunda semana começou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

IMPRESSŌES SOBRE OXFORD - parte 2


Nos três primeiros dias, só o que fiz foi andar, tanto para fixar os caminhos, quanto para conhecer mais da cidade. O centro eu já conheço de cor.

Foi no sábado, no entanto, que eu fiz a primeira coisa planejada desde que resolvi fazer a viagem: conhecer o lugar onde foram feitas as filmagens do Harry Potter, minha paixão juvenil. Foi emocionante estar ali e lembrar das cenas do filme. E dá-lhe fotos no Facebook.

Também no primeiro final de semana, fiz um caminho turístico recomendado num guia que minha tia Clarinha tão carinhosamente me emprestou. Fiquei encantada com as paisagens. O jardim botânico, que eu achei que estaria morto por causa do inverno, continuava maravilhoso.

Conheci ainda a maior biblioteca da minha vida. Nunca tinha visto tanto livro junto. É lindo de se ver.

O college do tio Marcus é chiquérrimo, e coloca todas as faculdades e universidades do Brasil no chinelo. Não só na parte física, mas também na parte intelectual. O pessoal aqui estuda, e estuda muito, desde criança. Aqui a educação é incentivada, e as pessoas levam isso muito a sério. Fiquei pensando muito sobre isso e senti até um pouco de vergonha ao perceber que eu podia ter aproveitado muito mais de todo o aprendizado que já tive. Conhecimento nunca é demais.

E foi assim que na segunda-feira eu tive o primeiro dia na Embassy CES, a minha escola de inglês oxfordiana. O teste que eu fiz me colocou no nível upper intermediate. Fiquei feliz, porque achava que começaria num nível de principiante. Na minha sala, além de mim, tinha mais três brasileiros.

Durante o intervalo tomei um capuccino com a Lina, a cearense mais fofa que já conheci e que viria a se tornar uma das minha melhores amigas aqui, ela e a irmã dela, a Bia, carinhosamente chamada de Guiga. Não sei de qual das duas gosto mais. Fiquei muito feliz quando o resultado do teste mostrou que nós três ficaríamos estudando na mesma sala.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

IMPRESSÕES OXFORDIANAS - parte 1

Nove de janeiro de 2013. Chegou o dia em que eu começaria a colocar em prática um plano pensado pelo menos cinco meses antes, uma ideia do meu tio Marcus possibilitada pelo meu pai depois de muita insistência da minha mãe e um pouco de insistência minha. Eu estava indo para Oxford para melhorar um pouco o meu inglês e - o mais importante de tudo - aprender como ser independente. Papai e mamãe não iriam comigo.

Quando terminei a minha mala, ela estava parecendo um chumbo, totalmente contra as recomendações que eu recebera da agência de que eu deveria ser capaz de carregar a minha bagagem e não somente de puxá-la pelos aeroportos e ruas. Mas não me importei. Melhor do que passar frio. 

O check-in foi mais do que tranquilo, e em cinco minutos, estava com o meu bilhete de embarque na mão. Despedi-me da minha mãe e da minha irmã, que haviam me levado até Confins para embarcar, com um nó na garganta, coisa que acontece com aqueles que não conseguem cortar totalmente o cordão umbilical, e fui.

Na sala de embarque, ainda em Belo Horizonte, observei as pessoas e fiquei impressionada mais uma vez com a influência dos aparelhos eletrônicos (iPads, iPhones e afins) sobre elas. Cada um ficava imerso no seu tablet ou telefone sem nem olhar para os lados - casais e famílias, cada um se isolando em redes sociais, e- mails, música e jogos. Não estou julgando ninguém porque também estaria fazendo a mesma coisa se não tivesse que prestar atenção na chamada do vôo. Como eu estava sozinha, todo cuidado é pouco. E é claro que o portão de embarque mudou antes de chamarem para entrar no avião que me levaria para São Paulo. 

Meu assento era bem na frente, na poltrona 6A e, felizmente, a aeronave não estava cheia. Ao meu lado, sentou-se uma garota meio antipática que puxou de dentro da mochila um exemplar novinho em folha de Cinquenta tons de cinza, outro tipo de lavagem cerebral. No mais, o vôo foi seguro e rápido.

Chegando em Guarulhos, quase me perdi. Não tinha ninguém para seguir, já que meu vôo para São Paulo era doméstico, mas enfim, encontrei meu caminho para a polícia federal, por onde passei sem maiores problemas também. Faltava agora esperar meu tio Marcus, que também estava indo para Oxford via Brasília. Ele havia me instruído a encontrá-lo na sala VIP da TAM (meu tio é chic, kkkkkkk). Como eu não podia entrar lá sem ele, encontrei um lugarzinho perto de uma decoração de pedras e plantas para sentar e esperar por ele. Quarenta minutos depois, recebi a esperada ligação. Quando meu tio me encontrou, já tinha entrado na sala e até tomado café - ele não viu onde eu estava, mas enfim encontrei-o.

Ainda no aeroporto, tive a minha primeira longa conversa com ele, e as conversas com o tio Marcus são sempre bem cabeça! Mas não me importo nem um pouco. Na verdade, gosto demais de trocar ideias com ele, e tenho certeza de que depois dessa viagem, vou amá-lo muito mais do que já amava! Quando chamaram para o embarque para Londres, ele seguiu para a classe executiva e eu para a econômica. Não o vi durante o vôo, onde sentei ao lado de um casal muito simpático, aliás. É que eu não conseguia alcançar o bagageiro, e o moço se levantou para me ajudar!


A viagem atravessando o Atlântico foi calma e inesperadamente rápida - consegui dormir a maior parte das longas horas de voo.

Depois de passar pela alfândega, encontrei meu tio de novo para pegarmos nosso ônibus para Oxford, e foi aí que tive minha primeira lição inglesa. É super fácil pegar um ônibus, não tem burocracia nenhuma de ter que ir comprar a passagem em um guinche, entregar sua mala para alguém colocar no bagageiro, assento marcado, nada disso. O próprio motorista é quem cobra, guarda mala e é claro, dirige. Também descobri que a passagem de ida e volta na Inglaterra se chama refound, e sai mais em conta do que pagar uma de ida e depois uma de volta.

Outra observação foi o silêncio. O ônibus é silencioso. Não tem ninguém gritando um com o outro nem falando alto no celular. Inclusive, não falar alto é uma recomendação que o motorista faz logo que entramos no veículo. O resultado é que conversei com meu tio quase aos sussurros, porque o ônibus estava bem vazio.

Quando chegamos em Oxford, não tive tempo de pegar meu casaco e luvas que estavam numa malinha de mão. Achei que iria congelar mas, inesperadamente, isso não aconteceu. "Nem está tão frio assim", comentou o tio Marcus.

Encontramos logo a rua da residência estudantil onde eu iria ficar, mas tivemos dificuldade em encontrar o número da casa e tivemos que arrastar as malas pelas ruas oxfordianas até a Embassy CES, a escola em que eu iria estudar inglês. Lá chegando, a recepcionista super simpática, Emma, disse que estava me esperando no dia anterior - e depois eu recebi um e-mail super preocupado da minha agência de viagem achando que eu não tinha conseguido me alojar. Bem profissional da parte deles. Realmente gostei dessa agência!

A própria diretora da escola, Victoria, também muito simpática, me acompanhou até a residência - tio Marcus e eu tínhamos passado exatamente em frente... E ele, tadinho, teve que subir com minha super mala pesada por três lances de escada.

Me surpreendi com o meu quarto, pois era muito melhor do que eu achei que seria, e depois de largar minhas coisas lá, fui conhecer um dos lugares mais importantes da minha estadia na Inglaterra: o supermercado! Tesco Metro era o seu nome.

Já eram 16:30 da tarde, e o céu já estava quase todo preto. Os dias no inverno do norte são bem curtos, e a vida dá a impressão de que passa mais rápido. Às 17:00, todo o comércio começa a fechar, por isso, tio Marcus e eu fomos comer, e ele me apresentou a um lugarzinho super charmoso - Pret a Manage. Tem sanduíches super gostosos, e eu voltaria lá mais algumas vezes.

Depois do banho, uma chateação. Meu secador de cabelo não funcionava de jeito nenhum, e quando consegui fazer com que isso acontecesse, quase explodiu na minha mão. Ele ligou fazendo um barulho estranho e eu só percebi que estava soltando fumaça quando o alarme de incêndio do prédio disparou. Benditos ingleses com sua mania de segurança. Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de quarto, um espanhol sem queixo gigantesco chamado Moisés. Perguntei para ele como fazia para desligar aquele barulho infernal e é claro que ele não sabia. Felizmente, alguém fez essa caridade alguns segundos depois. Devem estar acostumados com esses estrangeiros lerdos que não sabem de nada.

E assim terminou o começo da minha estadia em Oxford, comigo dormindo debaixo de um edredon grosso e pesado no clima de 2 graus positivos da cidade.






terça-feira, 4 de setembro de 2012

GAME OF THRONES

Uma história que não se passa no espaço que conhecemos. Uma história que não se passa no nosso tempo. Uma história contada a partir de vários pontos de vista diferentes que ensejam teorias sensacionais, surreais e completamente geniais. É a história da Guerra de Tronos, da Fúria de Reis, da Tormenta de Espadas, do Festim de Corvos, da Dança de Dragoes, dos Ventos do Inverno e dos Sonhos da Primavera. História sobre lealdade, incesto, traição, bem, mal, neutralidade e caos. Começa num torneio em Harrenhal, quando o príncipe Dragão coroa a Loba Donzela, ele já casado, ela prometida, e sabe-se lá onde vai terminar. A história dos dois ninguem jamais saberá, pois a boca do Dragão e da Loba estão fechadas para sempre, e da do Rei Veado, forte e apaixonado, só saem chispas de escárnio. Dele sabemos somente meias verdades que, as vezes, são tanto quanto ou mais devastadoras do que a mentira completa. Sabemos somente aquilo no que ele queria acreditar. A paixão do Dragão foi retribuída ou ele fez a vida da Loba completamente destruída? Será que geraram um herdeiro, ou foi tudo o desenrolar de um pesadelo? Qual o real significado do leito de sangue e qual foi a promessa pedida e cumprida entre os Lobos irmãos, quando ele encontrou ela moribunda? São muitas questoes, muitas divagaçoes, e o que mata é não haver soluçoes. Os mortos levam a verdade e os vivos constroem as versoes, e "quando se joga o jogo dos tronos ou ganha-se ou morre".