domingo, 27 de janeiro de 2013

IMPRESSÕES OXFORDIANAS - parte 3


Na terça-feira, durante a primeira aula, o professor deu um exercício em dupla. Acabei fazendo-o com uma mexicana super fofa chamada Maria. Ela me chamou para almoçar, e fomos em um restaurante italiano onde também fiquei conhecendo o Mohamed, da Arábia Saudita, e outro mexicano super gente boa, o Oscar.

E na quarta, fiz um programa que eu, ao contrário da maioria esmagadora das pessoas da minha idade, não gosto muito - fui a uma boate. Em Oxford só existem dois nightclubs, um chamado The Bridge, já que fica próximo a uma ponte, e outro chamado The Lava - não descobri o porquê desse nome. Fui no primeiro. Meu problema foi a roupa. Eu não tinha trazido nada para usar nesse tipo de lugar, mas me virei como pude.

O que eu posso dizer do lugar é que é igualzinho às boates do Brasil, só que bem mais barata (bem mesmo) e bem mais limpa. O pessoal aqui é mais educado que os brasileiros até nessa parte. Foi legal, porque apesar de boates estarem longe de ser meu programa favorito, a gente acaba se divertindo. As 2:30 as luzes acendem e a festa acaba. Às 3:06 eu entrei no meu quarto para dormir, e tive que acordar cedo para a aula no dia seguinte.

Quanto à minha experiência culinária na primeira semana, foi bom encontrar um restaurante brasileiro, onde pude comer comida de verdade, porque, como todos sabem, ninguém merece a comida inglesa. Fiz duas tentativas com o chá e a primeira não foi nem um pouco agradável. Já a segunda, foi ótima! Gostei muito.

No sábado, Lina, Bia e eu fomos fazer compras para cozinhar na residência onde eu estou hospedada. Eu disse que cedia a louça e o fogão, porque não sei cozinhar, e as duas fizeram um macarrão à bolonhesa bem gostoso, além de ter sido divertido.

E no dia seguinte, fomos à Londres, A Bia queria muito ir no London Eye, e mesmo com neve, partimos para a capital, que fica a duas horas de Oxford. Estava muito frio. Almoçamos em um restaurante chinês e compramos um ingresso duplo para o London Eye e o Madame Tusseau. Mas o mau tempo não quis deixar que a gente entrasse na roda gigante, e o pior é que a gente nem podia ficar passeando pelas ruas londrinas tão famosas. Então fomos somente ao museu, lanchamos no Mc Donald's, porque isso não podia faltar, claro, e voltamos.

O mais legal disso tudo é que aprendi a andar de metrô. Sempre achei o metrô o mais legal dos transporte públicos, porque é rápido, e muito mais barato do que taxi, além de não ter que parar em sinal.

E a segunda semana começou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

IMPRESSŌES SOBRE OXFORD - parte 2


Nos três primeiros dias, só o que fiz foi andar, tanto para fixar os caminhos, quanto para conhecer mais da cidade. O centro eu já conheço de cor.

Foi no sábado, no entanto, que eu fiz a primeira coisa planejada desde que resolvi fazer a viagem: conhecer o lugar onde foram feitas as filmagens do Harry Potter, minha paixão juvenil. Foi emocionante estar ali e lembrar das cenas do filme. E dá-lhe fotos no Facebook.

Também no primeiro final de semana, fiz um caminho turístico recomendado num guia que minha tia Clarinha tão carinhosamente me emprestou. Fiquei encantada com as paisagens. O jardim botânico, que eu achei que estaria morto por causa do inverno, continuava maravilhoso.

Conheci ainda a maior biblioteca da minha vida. Nunca tinha visto tanto livro junto. É lindo de se ver.

O college do tio Marcus é chiquérrimo, e coloca todas as faculdades e universidades do Brasil no chinelo. Não só na parte física, mas também na parte intelectual. O pessoal aqui estuda, e estuda muito, desde criança. Aqui a educação é incentivada, e as pessoas levam isso muito a sério. Fiquei pensando muito sobre isso e senti até um pouco de vergonha ao perceber que eu podia ter aproveitado muito mais de todo o aprendizado que já tive. Conhecimento nunca é demais.

E foi assim que na segunda-feira eu tive o primeiro dia na Embassy CES, a minha escola de inglês oxfordiana. O teste que eu fiz me colocou no nível upper intermediate. Fiquei feliz, porque achava que começaria num nível de principiante. Na minha sala, além de mim, tinha mais três brasileiros.

Durante o intervalo tomei um capuccino com a Lina, a cearense mais fofa que já conheci e que viria a se tornar uma das minha melhores amigas aqui, ela e a irmã dela, a Bia, carinhosamente chamada de Guiga. Não sei de qual das duas gosto mais. Fiquei muito feliz quando o resultado do teste mostrou que nós três ficaríamos estudando na mesma sala.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

IMPRESSÕES OXFORDIANAS - parte 1

Nove de janeiro de 2013. Chegou o dia em que eu começaria a colocar em prática um plano pensado pelo menos cinco meses antes, uma ideia do meu tio Marcus possibilitada pelo meu pai depois de muita insistência da minha mãe e um pouco de insistência minha. Eu estava indo para Oxford para melhorar um pouco o meu inglês e - o mais importante de tudo - aprender como ser independente. Papai e mamãe não iriam comigo.

Quando terminei a minha mala, ela estava parecendo um chumbo, totalmente contra as recomendações que eu recebera da agência de que eu deveria ser capaz de carregar a minha bagagem e não somente de puxá-la pelos aeroportos e ruas. Mas não me importei. Melhor do que passar frio. 

O check-in foi mais do que tranquilo, e em cinco minutos, estava com o meu bilhete de embarque na mão. Despedi-me da minha mãe e da minha irmã, que haviam me levado até Confins para embarcar, com um nó na garganta, coisa que acontece com aqueles que não conseguem cortar totalmente o cordão umbilical, e fui.

Na sala de embarque, ainda em Belo Horizonte, observei as pessoas e fiquei impressionada mais uma vez com a influência dos aparelhos eletrônicos (iPads, iPhones e afins) sobre elas. Cada um ficava imerso no seu tablet ou telefone sem nem olhar para os lados - casais e famílias, cada um se isolando em redes sociais, e- mails, música e jogos. Não estou julgando ninguém porque também estaria fazendo a mesma coisa se não tivesse que prestar atenção na chamada do vôo. Como eu estava sozinha, todo cuidado é pouco. E é claro que o portão de embarque mudou antes de chamarem para entrar no avião que me levaria para São Paulo. 

Meu assento era bem na frente, na poltrona 6A e, felizmente, a aeronave não estava cheia. Ao meu lado, sentou-se uma garota meio antipática que puxou de dentro da mochila um exemplar novinho em folha de Cinquenta tons de cinza, outro tipo de lavagem cerebral. No mais, o vôo foi seguro e rápido.

Chegando em Guarulhos, quase me perdi. Não tinha ninguém para seguir, já que meu vôo para São Paulo era doméstico, mas enfim, encontrei meu caminho para a polícia federal, por onde passei sem maiores problemas também. Faltava agora esperar meu tio Marcus, que também estava indo para Oxford via Brasília. Ele havia me instruído a encontrá-lo na sala VIP da TAM (meu tio é chic, kkkkkkk). Como eu não podia entrar lá sem ele, encontrei um lugarzinho perto de uma decoração de pedras e plantas para sentar e esperar por ele. Quarenta minutos depois, recebi a esperada ligação. Quando meu tio me encontrou, já tinha entrado na sala e até tomado café - ele não viu onde eu estava, mas enfim encontrei-o.

Ainda no aeroporto, tive a minha primeira longa conversa com ele, e as conversas com o tio Marcus são sempre bem cabeça! Mas não me importo nem um pouco. Na verdade, gosto demais de trocar ideias com ele, e tenho certeza de que depois dessa viagem, vou amá-lo muito mais do que já amava! Quando chamaram para o embarque para Londres, ele seguiu para a classe executiva e eu para a econômica. Não o vi durante o vôo, onde sentei ao lado de um casal muito simpático, aliás. É que eu não conseguia alcançar o bagageiro, e o moço se levantou para me ajudar!


A viagem atravessando o Atlântico foi calma e inesperadamente rápida - consegui dormir a maior parte das longas horas de voo.

Depois de passar pela alfândega, encontrei meu tio de novo para pegarmos nosso ônibus para Oxford, e foi aí que tive minha primeira lição inglesa. É super fácil pegar um ônibus, não tem burocracia nenhuma de ter que ir comprar a passagem em um guinche, entregar sua mala para alguém colocar no bagageiro, assento marcado, nada disso. O próprio motorista é quem cobra, guarda mala e é claro, dirige. Também descobri que a passagem de ida e volta na Inglaterra se chama refound, e sai mais em conta do que pagar uma de ida e depois uma de volta.

Outra observação foi o silêncio. O ônibus é silencioso. Não tem ninguém gritando um com o outro nem falando alto no celular. Inclusive, não falar alto é uma recomendação que o motorista faz logo que entramos no veículo. O resultado é que conversei com meu tio quase aos sussurros, porque o ônibus estava bem vazio.

Quando chegamos em Oxford, não tive tempo de pegar meu casaco e luvas que estavam numa malinha de mão. Achei que iria congelar mas, inesperadamente, isso não aconteceu. "Nem está tão frio assim", comentou o tio Marcus.

Encontramos logo a rua da residência estudantil onde eu iria ficar, mas tivemos dificuldade em encontrar o número da casa e tivemos que arrastar as malas pelas ruas oxfordianas até a Embassy CES, a escola em que eu iria estudar inglês. Lá chegando, a recepcionista super simpática, Emma, disse que estava me esperando no dia anterior - e depois eu recebi um e-mail super preocupado da minha agência de viagem achando que eu não tinha conseguido me alojar. Bem profissional da parte deles. Realmente gostei dessa agência!

A própria diretora da escola, Victoria, também muito simpática, me acompanhou até a residência - tio Marcus e eu tínhamos passado exatamente em frente... E ele, tadinho, teve que subir com minha super mala pesada por três lances de escada.

Me surpreendi com o meu quarto, pois era muito melhor do que eu achei que seria, e depois de largar minhas coisas lá, fui conhecer um dos lugares mais importantes da minha estadia na Inglaterra: o supermercado! Tesco Metro era o seu nome.

Já eram 16:30 da tarde, e o céu já estava quase todo preto. Os dias no inverno do norte são bem curtos, e a vida dá a impressão de que passa mais rápido. Às 17:00, todo o comércio começa a fechar, por isso, tio Marcus e eu fomos comer, e ele me apresentou a um lugarzinho super charmoso - Pret a Manage. Tem sanduíches super gostosos, e eu voltaria lá mais algumas vezes.

Depois do banho, uma chateação. Meu secador de cabelo não funcionava de jeito nenhum, e quando consegui fazer com que isso acontecesse, quase explodiu na minha mão. Ele ligou fazendo um barulho estranho e eu só percebi que estava soltando fumaça quando o alarme de incêndio do prédio disparou. Benditos ingleses com sua mania de segurança. Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de quarto, um espanhol sem queixo gigantesco chamado Moisés. Perguntei para ele como fazia para desligar aquele barulho infernal e é claro que ele não sabia. Felizmente, alguém fez essa caridade alguns segundos depois. Devem estar acostumados com esses estrangeiros lerdos que não sabem de nada.

E assim terminou o começo da minha estadia em Oxford, comigo dormindo debaixo de um edredon grosso e pesado no clima de 2 graus positivos da cidade.