terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PORQUE LER É BOM!


Nunca consegui expressar direito a minha paixão pelos livros, mas agora sinto que serei capaz de fazê-lo. Posso dizer que ler é um dos maiores prazeres da minha vida alfabetizada. Não me recordo de como isso despertou em mim, só sei que sempre amei ouvir histórias. Como toda criança, cresci ouvindo meus pais contando clássicos infantis (que a minha mãe contava do jeito que tinha que ser e o meu pai... bem, ao jeito dele!). A partir daí, li tantos livros que já perdi a conta.

O meu primeiro grande caso de amor com uma história, no entanto, foi com a série de J.K. Rowling, Harry Potter, indicação da minha avó, lembro-me bem. Eu adorava, e viajava naquele mundo criado pela escritora inglesa.


Dizem que uma coisa que afasta uma pessoa da literatura, ou seja, que desperta uma certa aversão ao hábito de ler, é a obrigatoriedade imposta pelas escolas. Regidos por uma ética institucional, os professores jamais indicariam um livro como Harry Potter e a Pedra Filosofal ao seus alunos de 4a ou 5a série. Diriam que não é uma literatura construtiva. Considero isso um erro. Primeiro deve-se desenvolver o gosto pela leitura, para depois ensinar a distinguir o que é e o que não é bom. Eu, particularmente, desenvolvi uma certa resistência a um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, justamente por causa disso. Não que eu não reconheça sua genialidade, mas não é uma leitura que faço com prazer.



Eu cresci junto com Harry Potter, esperando, a cada ano, que o novo livro da série chegasse. O segundo eu li em um dia. Cheguei a duvidar de que pudesse gostar mais de uma história do que desta. Mas me equivoquei. Harry Potter terá sempre um lugar especial na minha vida, mas a gente cresce. E aí, veio o José de Alencar.

Eis um autor que eu, por conta própria, jamais escolheria para ler, um preconceito do qual me arrependi. O vestibular, no entanto, colocou como uma de suas obras de análise o livro Senhora. E eu devorei a história. Considero José de Alencar um dos homens mais sensíveis e conhecedores da alma feminina do qual já tive notícia. Voltarei a falar de Senhora mais a frente, antes, devo citar o meu terceiro caso com a literatura.

A saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, me encantou.

Apesar de usar seres sobrenaturais como personagens, o que me seduziu foi justamente o amor entre esses personagens, a intensidade de seus sentimentos e de suas relações. Não interessa se eles eram vampiros ou lobisomens, o que importa é a emoção que a história nos provoca.
Quando terminei meu curso superior de Jornalismo, usei como objeto de análise para a monografia de conclusão de curso a saga Crepúsculo. E aprendi muita coisa. Aprendi que obras como esta, best-sellers em geral, são feitas para a massa, para o grande público, obras que têm como único objetivo, vender. Com fins lucrativos, elas mexem com o que temos de mais particular na vida: os nossos sentimentos. Algumas pessoas são mais, outras menos afetadas pelo efeito best-seller, visto que é muito frequente ouvir da grande maioria delas a frase “ler é muito chato!”. Eu me encontro, com certeza, na primeira categoria, a dos que são mais afetados pelo efeito best-seller. Aprendi também que fruidores desse tipo de literatura (a literatura de massa) são condenados por alguns críticos literários, que dizem que quem lê Harry Potter jamais chegará a Dostoievski e que a análise deve ser fria e racional para ser correta. Sinto muito em discordar categoricamente (oh, críticos!) dessa visão tão limitada. Ninguém jamais chegará a Dostoievski começando por Dostoievski, assim como nenhum advogado chegará a ser advogado sem antes estudar física, química e matemática, e nenhum engenheiro chegará a ser engenheiro sem antes estudar português, história e filosofia. Para poder fruir Dostoievski como se deve, é preciso antes ler Chapeuzinho Vermelho, Harry Potter, Crepúsculo, Sherlock Holmes, porque é assim o caminho que trilhamos para chegar ao ápice. Uma coisa leva a outra. Ninguém nasce pronto, nem Dostoievski.

Os best-sellers mexem com as emoções, com os sentimentos, e o que tem isso? Qual é o problema? A graça de viver, de sermos humanos, é justamente poder sentir! E é muito bom!

Quando lia Harry Potter, enquanto olhava para as páginas, eu também era bruxa, eu também aprendia os feitiços, eu também era amiga do Rony e da Hermione, eu também adorava o Dumbledore. Quando lia Senhora, eu era uma rica milionária carioca, apaixonada intensamente pelo homem que destruiu minhas ilusões. Quando lia Crepúsculo, eu também era uma menina sem graça e sozinha, eu também conheci o grande amor da minha vida, e eu também me transformei numa das mulheres mais bonitas do mundo quando virei vampira. É assim que eu sinto no momento em que abro as páginas de um livro. Quando as fecho, volto a ser eu mesma. Mas aquele momento em que me transporto para dentro da história, é mágico. A gente absorve esse momento e ninguém jamais o tira de nós.
Atualmente, ando lendo Oscar Wilde. Uma frase dele me chamou tanto a atenção, que tive necessidade de compartilhá-la neste texto. Diz Wilde que a Beleza (com letra maiúscula) é uma das coisas absolutas do mundo. Quanta verdade tem nesta frase. Não é justamente isso que todos os best-sellers contém? Vejamos nos exemplos: em Harry Potter, existe a Beleza da mágica. Harry é mágico, ele pode voar em uma vassoura, ele pode fazer qualquer coisa com a força do pensamento e uma varinha. Isso é lindo, não é? Imagine se pudesse ser real... Em Senhora existe toda a beleza de Aurélia e de seu amor. Que mulher não queria ter todos os homens aos seus pés ao simplesmente sorrir? E em Crepúsculo, existem os vampiros, seres de Beleza sobre-humana. É bom ler sobre a Beleza, simplesmente porque é bonito. Se temos que escolher entre uma coisa bonita e uma feia, escolheremos sempre a bonita; quando saímos para uma festa, procuramos sempre estar do jeito mais bonito possível, portanto, sim, mestre Oscar Wilde, a Beleza é uma das coisas absolutas do mundo.

Lendo este autor, que muito admiro, entendi mais ainda de outros autores. Essa é a maravilha da fruição. Lendo Wilde, entendi muito melhor José de Alencar e vou entender melhor Dostoievski, quando me sentir preparada para me aventurar em sua literatura. Em O retrato de Dorian Grey, Wilde diz a frase que citei acima, sobre a Beleza. José de Alencar a traduz em Senhora, na figura de Aurélia, dona de tamanha beleza, que é difícil até de imaginar. Em adaptação televisiva recente, a atriz Christine Fernandes interpretou a referida personagem, e muito bem, diga-se de passagem. Wilde disserta também sobre a poesia. Diz ele que os maiores poetas do mundo são prosaicos, porque não ousam realizar aquilo que escrevem. Já os poetas inferiores são os homens mais sedutores e irresistíveis. Ora, Fernando, o homem por quem Aurélia é apaixonada, é um poeta em potencial! Ela tenta resistir ao máximo a essa paixão, mas quando ele começa a recitar o mais simples dos versos, ela se desmancha de prazer.

Tudo isso se revela diante dos meus olhos quando leio, e creio que ainda há muito que aprender. Não entendo, então, aqueles que dizem “ler é muito chato”. Eles só o dizem porque não aprenderam a fruir. Digo a eles: abram a mente! Deixe a história te envolver e te levar para lugares que você, de outra forma, jamais chegaria! Não deixem de ler! Eu não vou deixar.

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