O mundo do cinema e da televisão sempre me fascinou. Não sei se pelo gosto da fama, coisa que acho até incômoda, pela qual muitos lutam incessantemente, mas pela sua beleza. Dizem que a ficção imita a vida real, mas muitas vezes acontece o contrário.
Lembro-me, quer dizer, minha mãe me conta que na época do filme “Os embalos de sábado à noite” todos os homens tentavam imitar Tony Manero, o John Travolta, em seu jeito característico de andar, sem falar que deviam sonhar em dançar como ele. O James Bond é outro exemplo. Mas por que será que as pessoas tentam ser iguais a seus ídolos do cinema e da televisão? Eu tenho um palpite. É porque eles espelham tudo o que gostaríamos de ser.
Que mulher não iria gostar de ser uma Flávia Alessandra, sedutora e sensual, uma Paola Oliveira, doce e meiga, uma Evangeline Lily, inteligente e esperta, ou uma Nicole Kidman, elegante e classuda? E que homem não gostaria de ser um Brad Pitt, um Tom Cruise, um Thiago Lacerda ou um Reynaldo Gianecchini? Essas características, isoladamente, são encontradas nas pessoas em geral, mas estas citadas acima têm uma em comum que não é tão freqüente: a beleza. E no mundo em que vivemos, o que mais importa? A beleza atrai e faz com que não queiramos nos separar dela. E é por isso que o cinema e a televisão têm esse poder sobre as pessoas, e fazem com que queiramos fazer parte deles, imitando nossos ídolos e seus personagens.
O sucesso de um filme está muito ligado a isso também. Veja por exemplo os dois últimos filmes que ganharam 11 oscars, “O senhor dos anéis, o retorno do rei” e “Titanic”. É claro que são levadas em conta também coisas como roteiro, diretor, fotografia, maquiagem, etc. Mas ambos tinham no elenco pessoas como Leonardo di Caprio, Kate Winslet, Orlando Bloom e Liv Taylor. São eles que a princípio chamam o público para frente das telas. Depois o enredo entra em cena, contribuindo para o sucesso.
É tudo tão lindo e perfeito que chegamos a pensar que todo esse elenco, tanto de Hollywood como o da Globo, não é real. É difícil imaginarmos que eles são pessoas como outras quaisquer, com problemas, crises, alegrias, altos e baixos. Como seria bom se nossa vida se transformasse em uma novela ou um filme, com começo, clímax e terminasse na hora da mais extrema felicidade.
Você já reparou que todas as histórias terminam no melhor momento? Ninguém sabe, por exemplo, se o príncipe ficava chateado com a mania de limpeza da Cinderela ou que ela se incomodava com o mau hálito dele de manhã cedo. Tudo sempre termina em casamento, uma das horas mais felizes da vida de uma pessoa. Mas e depois? Isso, nós, as pessoas comuns, as pessoas reais, teríamos que ensinar aos personagens que admiramos. Pensando bem, a graça da ficção está justamente nisso. Se nós já sabemos o final de todas as histórias, por que iríamos querer vê-lo e ouvi-lo todos os dias?
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