segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

IMPRESSÕES OXFORDIANAS - parte 1

Nove de janeiro de 2013. Chegou o dia em que eu começaria a colocar em prática um plano pensado pelo menos cinco meses antes, uma ideia do meu tio Marcus possibilitada pelo meu pai depois de muita insistência da minha mãe e um pouco de insistência minha. Eu estava indo para Oxford para melhorar um pouco o meu inglês e - o mais importante de tudo - aprender como ser independente. Papai e mamãe não iriam comigo.

Quando terminei a minha mala, ela estava parecendo um chumbo, totalmente contra as recomendações que eu recebera da agência de que eu deveria ser capaz de carregar a minha bagagem e não somente de puxá-la pelos aeroportos e ruas. Mas não me importei. Melhor do que passar frio. 

O check-in foi mais do que tranquilo, e em cinco minutos, estava com o meu bilhete de embarque na mão. Despedi-me da minha mãe e da minha irmã, que haviam me levado até Confins para embarcar, com um nó na garganta, coisa que acontece com aqueles que não conseguem cortar totalmente o cordão umbilical, e fui.

Na sala de embarque, ainda em Belo Horizonte, observei as pessoas e fiquei impressionada mais uma vez com a influência dos aparelhos eletrônicos (iPads, iPhones e afins) sobre elas. Cada um ficava imerso no seu tablet ou telefone sem nem olhar para os lados - casais e famílias, cada um se isolando em redes sociais, e- mails, música e jogos. Não estou julgando ninguém porque também estaria fazendo a mesma coisa se não tivesse que prestar atenção na chamada do vôo. Como eu estava sozinha, todo cuidado é pouco. E é claro que o portão de embarque mudou antes de chamarem para entrar no avião que me levaria para São Paulo. 

Meu assento era bem na frente, na poltrona 6A e, felizmente, a aeronave não estava cheia. Ao meu lado, sentou-se uma garota meio antipática que puxou de dentro da mochila um exemplar novinho em folha de Cinquenta tons de cinza, outro tipo de lavagem cerebral. No mais, o vôo foi seguro e rápido.

Chegando em Guarulhos, quase me perdi. Não tinha ninguém para seguir, já que meu vôo para São Paulo era doméstico, mas enfim, encontrei meu caminho para a polícia federal, por onde passei sem maiores problemas também. Faltava agora esperar meu tio Marcus, que também estava indo para Oxford via Brasília. Ele havia me instruído a encontrá-lo na sala VIP da TAM (meu tio é chic, kkkkkkk). Como eu não podia entrar lá sem ele, encontrei um lugarzinho perto de uma decoração de pedras e plantas para sentar e esperar por ele. Quarenta minutos depois, recebi a esperada ligação. Quando meu tio me encontrou, já tinha entrado na sala e até tomado café - ele não viu onde eu estava, mas enfim encontrei-o.

Ainda no aeroporto, tive a minha primeira longa conversa com ele, e as conversas com o tio Marcus são sempre bem cabeça! Mas não me importo nem um pouco. Na verdade, gosto demais de trocar ideias com ele, e tenho certeza de que depois dessa viagem, vou amá-lo muito mais do que já amava! Quando chamaram para o embarque para Londres, ele seguiu para a classe executiva e eu para a econômica. Não o vi durante o vôo, onde sentei ao lado de um casal muito simpático, aliás. É que eu não conseguia alcançar o bagageiro, e o moço se levantou para me ajudar!


A viagem atravessando o Atlântico foi calma e inesperadamente rápida - consegui dormir a maior parte das longas horas de voo.

Depois de passar pela alfândega, encontrei meu tio de novo para pegarmos nosso ônibus para Oxford, e foi aí que tive minha primeira lição inglesa. É super fácil pegar um ônibus, não tem burocracia nenhuma de ter que ir comprar a passagem em um guinche, entregar sua mala para alguém colocar no bagageiro, assento marcado, nada disso. O próprio motorista é quem cobra, guarda mala e é claro, dirige. Também descobri que a passagem de ida e volta na Inglaterra se chama refound, e sai mais em conta do que pagar uma de ida e depois uma de volta.

Outra observação foi o silêncio. O ônibus é silencioso. Não tem ninguém gritando um com o outro nem falando alto no celular. Inclusive, não falar alto é uma recomendação que o motorista faz logo que entramos no veículo. O resultado é que conversei com meu tio quase aos sussurros, porque o ônibus estava bem vazio.

Quando chegamos em Oxford, não tive tempo de pegar meu casaco e luvas que estavam numa malinha de mão. Achei que iria congelar mas, inesperadamente, isso não aconteceu. "Nem está tão frio assim", comentou o tio Marcus.

Encontramos logo a rua da residência estudantil onde eu iria ficar, mas tivemos dificuldade em encontrar o número da casa e tivemos que arrastar as malas pelas ruas oxfordianas até a Embassy CES, a escola em que eu iria estudar inglês. Lá chegando, a recepcionista super simpática, Emma, disse que estava me esperando no dia anterior - e depois eu recebi um e-mail super preocupado da minha agência de viagem achando que eu não tinha conseguido me alojar. Bem profissional da parte deles. Realmente gostei dessa agência!

A própria diretora da escola, Victoria, também muito simpática, me acompanhou até a residência - tio Marcus e eu tínhamos passado exatamente em frente... E ele, tadinho, teve que subir com minha super mala pesada por três lances de escada.

Me surpreendi com o meu quarto, pois era muito melhor do que eu achei que seria, e depois de largar minhas coisas lá, fui conhecer um dos lugares mais importantes da minha estadia na Inglaterra: o supermercado! Tesco Metro era o seu nome.

Já eram 16:30 da tarde, e o céu já estava quase todo preto. Os dias no inverno do norte são bem curtos, e a vida dá a impressão de que passa mais rápido. Às 17:00, todo o comércio começa a fechar, por isso, tio Marcus e eu fomos comer, e ele me apresentou a um lugarzinho super charmoso - Pret a Manage. Tem sanduíches super gostosos, e eu voltaria lá mais algumas vezes.

Depois do banho, uma chateação. Meu secador de cabelo não funcionava de jeito nenhum, e quando consegui fazer com que isso acontecesse, quase explodiu na minha mão. Ele ligou fazendo um barulho estranho e eu só percebi que estava soltando fumaça quando o alarme de incêndio do prédio disparou. Benditos ingleses com sua mania de segurança. Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de quarto, um espanhol sem queixo gigantesco chamado Moisés. Perguntei para ele como fazia para desligar aquele barulho infernal e é claro que ele não sabia. Felizmente, alguém fez essa caridade alguns segundos depois. Devem estar acostumados com esses estrangeiros lerdos que não sabem de nada.

E assim terminou o começo da minha estadia em Oxford, comigo dormindo debaixo de um edredon grosso e pesado no clima de 2 graus positivos da cidade.






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